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O que é o Centrão na política brasileira – Quais partidos formam o bloco?

Desde o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef, o termo “Centrão” se tornou muito comum no noticiário político brasileiro. Mas, afinal: o que é o Centrão na política brasileira?

Se você acha que é o conjunto dos partidos de centro, saiba que não é bem por aí. A ideologia não é bem o ponto forte deste bloco. Ele já esteve com Dilma, depois com Temer, e agora o presidente Bolsonaro também inicia uma aproximação com o grupo.

Isso acontece porque os votos do centrão têm sido definitivos para qualquer pauta que surge na Câmara, já que é um grupo grande de deputados. Neste texto você pode entender o que é esse bloco, qual sua história e por que ele tem sido tão decisivo para a política no Brasil.

O que é o Centrão na política brasileira

O que é o Centrão?

O Centrão é um bloco informal na Câmara dos Deputados que reúne partidos que não possuem uma orientação ideológica específica e costumam se articular para votar da mesma maneira sobre determinados projetos, ou seja, priorizam pautas separadamente, sem ter alianças com partidos. A maioria dos deputados que forma o grupo é considerada do “baixo clero”, isto é, com atuação parlamentar pouco relevante – daí o interesse pela aprovação de pautas particulares, para criação de uma relevância que ainda não existe.

Como o bloco não tem uma bandeira própria, suas negociações com presidentes envolvem trocas de vantagens. A aproximação se dá a partir da distribuição de cargos no governo aos partidos, que podem indicar aliados para as vagas em troca de apoio ao presidente.

Dependendo da proposta debatida no Plenário, os votos do centrão podem representar metade do Parlamento brasileiro. Ou seja, mais de 200 deputados votando em conjunto, o que é decisivo para a aprovação ou rejeição de uma matéria.

Para se ter uma ideia do tamanho do bloco, veja os partidos que costumam estar alinhados ao centrão:

  • Progressistas – 40 deputados;
  • PL – 39 deputados;
  • PSD – 36 deputados;
  • MDB – 34 deputados;
  • Republicanos – 31 deputados;
  • DEM – 28 deputados;
  • Solidariedade – 14 deputados;
  • PTB – 12 deputados.

O grupo ainda costuma contar com o apoio de partidos menores, como PROS (10), PSC (9), Avante (7) e Patriota (6). Conheça as histórias e ideologias destes partidos.

História do Centrão na política brasileira

O termo surgiu durante a Assembleia Constituinte de 1987, usado para designar uma frente suprapartidária de centro-direita. O grupo se uniu para apoiar o presidente José Sarney e combater as propostas dos partidários de Ulysses Guimarães, tidos como progressistas, para a nova Constituição.

Na época, o bloco reuniu em torno de 150 deputados de cinco partidos: PFL, PL, PDS, PDC e PTB, além de nomes do PMDB. Assim, o centrão foi decisivo na Constituinte, alterando a forma de aprovação do texto em troca de cargos e vantagens. Uma das vitórias conquistadas pelo grupo foi o mandato de cinco anos para Sarney.

O centrão voltou a ganhar força em 2014, com a formação do “blocão” criado por Eduardo Cunha, então líder do PMDB. O grupo surgiu por conta do descontentamento dos deputados da base governista com a presidente Dilma, com quem tinham pouca articulação.

O blocão era formado por oito partidos que juntos tinham 242 parlamentares – o que representava 47% da Câmara. Em 2015, a força do grupo ficou evidente quando Cunha foi eleito presidente da Câmara dos Deputados em primeiro turno. A partir daí, o grupo tornou-se a principal força política no Congresso.

Centrão no Impeachment

Em 2016, o Centrão foi decisivo para o impeachment, apesar de a maioria dos partidos do grupo ser da base governista. Como presidente da Câmara, foi Cunha – líder do bloco, que depois seria preso por corrupção – quem enviou o processo para votação. E o deputado fez isso horas depois de perder o apoio do PT na Comissão de Ética onde era julgado.

Dias antes de o processo ser aprovado pela Câmara, a presidenta tentou negociar com o bloco, mas já era tarde. Ao mesmo tempo, os líderes mantinham conversas com Temer, que  passou a ter o apoio do grupo, se estendendo durante o decorrer de seu governo.

No governo Temer, o grupo barrou duas denúncias criminais contra o presidente, evitando um provável afastamento. Também foi fundamental para a aprovação das reformas propostas pelo governo, oferecendo apoio em troca de cargos e ministérios, de liberação de emendas parlamentares, verbas e projetos de lei, entre outros benefícios.

O Centrão atualmente – Com quem está aliado?

Nas eleições de 2018, Geraldo Alckmin (PSDB) montou coligação com partidos do bloco para ter maior tempo de propaganda eleitoral. Mas as eleições representaram uma derrota para a antiga formação do Centrão.

Além do fracasso de Alckmin, senadores importantes do grupo não se reelegeram. Entre eles, o ex-presidente do senado Eunício Oliveira, os ex-ministros Edison Lobão e Garibaldi Alves, e Romero Jucá (todos do MDB). Entre os deputados, o MDB também encolheu, perdendo quase metades de suas cadeiras em comparação com 2014.

Assim, o bloco se reorganizou em torno de outros nomes. Entre os principais articuladores do Centrão estão Marcos Pereira (SP), vice-presidente da Câmara e presidente do Republicanos, e o presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força (SP).

Também destacam-se no grupo os Progressistas Ciro Nogueira (PI) e Arthur Lira (AL), ambos investigados na Operação Lava Jato por suspeita de envolvimento em esquema de corrupção na Petrobras.

Recentemente, o governo vem negociando aproximação com o Centrão para ter mais força no Congresso. As conversas com Bolsonaro envolvem apoio do bloco em troca de cargos no governo distribuído para os partidos. O próprio Arthur Lira se reuniu com o presidente recentemente, registrando o encontro em vídeo.

Além disso, o ex-deputado Roberto Jefferson, condenado no escândalo do mensalão, se tornou um dos principais apoiadores de Bolsonaro. Jefferson é presidente do PTB, um dos partidos que compõem o bloco.

Tem alguma dúvida sobre o centrão? Deixe nos comentários!

Felipe Matozo
Felipe Matozo é estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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