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DEM (Democratas) – História, Ideologia e Lista de candidatos

O DEM (Democratas) é um partido político criado em 1985 em meio à crise sucessória que antecedeu a primeira eleição direta para presidente da república no período de redemocratização.

Na prática, o partido nasce grande e forte porque partiu da dissolução da sigla PDS (partido Democrático Social) e PFL (Partido da Frente Liberal) que serviu como um “adeus” ao seu passado na Arena apoiando a ditadura militar  para partir rumo à uma história mais liberal e menos conservacionista.

Fundação e História do Democratas

A criação do DEM aconteceu quando o governador baiano Antônio Carlos Magalhães (na época líder da Arena) armou briga com o Ministro da Aeronáutico, brigadeiro Délio de Matos. Sua afronta foi rejeitar a candidatura de Maluf e apoiar a eleição direta de Tancredo Neves para a Presidência da República.

A ideia do governador baiano era justamente formar um caos para marcar a metamorfose do partido, que agora não queria mais ser associado ao seu passado de apoio aos miliares. Por isso, resolveu criticar publicamente uma de seus principais líderes da época e se associar ao seu maior opositor. Assim, a mudança de rumos do PDS, sucessor da Aliança Renovadora Nacional (arena), estava decretada para virar Democratas.

Sem levar o troco dos militares, Antônio Magalhães saiu ganhando na briga e ainda com o posto de Ministro de Comunicações do governo Tancredo assumido por Sarney. O posto o ajudou a dar mais um passo para longe do passado arenista e engajar de vez nas novas ideias que queria dar ao DEM, que ainda era um recém-nascido.

DEM ligado às pautas da esquerda

O primeiro feito o ex-governador baiano ao assumir o posto de Ministro foi se aproximar das pautas de esquerda. Antônio foi para Cuba e conectou uma linha telefônica do Brasil com a América Central, concretizando uma amizade com o líder cubano Fidel Castro.

Assim, o Democratas levava uma fama que outros partidos mais a esquerda como o próprio  Partido dos Trabalhadores ou Partido Comunista Brasileiro invejavam.

Antônio Carlos Magalhães e Fidel Castro
Antônio Carlos Magalhães e Fidel Castro

Maciel como vice-presidente do Fernando Henrique Cardoso

Com uma fama grande partindo de escândalos ideológicos, não demorou para que o Democratas conseguisse outros postos federais. No caso, o mais importante deles foi a do senador pernambucano Marco Maciel que assumiu o Ministério da Educação após o fim da ditadura. Poucos anos depois, na eleição de 1994, se elegeu vice-presidente da República na chapa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).

O papel de Maciel no partido veio para equilibrar as decisões de Antônio que eram mais radicais, com suas pautas mais ao centro conseguiu garantir que a sigla não ficasse atrelada somente às pautas de esquerdas elogiadas por líderes comunistas ou do passado da Arena que fez com que a legenda ganhasse apelido de “partido do sim, senhor”.

Durante o tempo de governança do Fernando Henrique Cardoso foi o momento que o DEM mais cresceu e chegou a liderar muitas posições federais.

Fernando Henrique Cardoso e Maciel
Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seu vice Maciel

Preservação das bandeiras econômicas

Uma das pautas que o Democratas manteve mesmo depois de sua metamorfose foram as econômicas ligadas à nova direita brasileira. Afinal, dentro da legenda haviam empresários de peso, como o banqueiro Olavo Setúbal, do Itaú que integrou ao partido na década de 1980 ou o presidente do MDL (Movimento Brasil Livre, Fernando Holiiday, inserido mais tarde, em 2016.

Quem ajudou a redigir o posicionamento do partido nas matérias de economia, por exemplo,  foi o atual presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Ribello de Castro.

Anos 2000 e as novas bandeiras democratas

Se antes o partido democratas era tido como conservador nos costumes e pró-livre mercado na economia, agora querem estar associados como uma posição mais ao centro. Deixaram as pautas mais radicais de lado e tentam equilibraras as decisões dos eleitos colocando panos quentes em qualquer discussão.

Entre as principais defendidas pela legenda no Congresso atualmente está a livre iniciativa e o empreendedorismo. Conforme declarações do senador Agripino Maia (atual presidente do DEM), a ideia do partido é não colocar o capital privado em primeiro lugar, mas sim o emprego por meio da distribuição de renda, proteção à propriedade privada e o prestígio à produção agropecuária (apesar de defenderem a reforma agrária publicamente).

Decadência do DEM

Em 2010, tanta gente saiu da legenda que o boato de que a sigla se extinguiria parecia mais real do que nunca. Tudo começou com o abandono do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que levou vários colegas para o PSD, sigla criada por ele mesmo.

Um suspiro de vida

Apesar do duro golpe levado na primeira década do novo século, o DEM mostrou sua garra novamente em meio aos protestos contra o governo de Dilma Roussef, em 2015. No caso, a legenda se aproveitou do discurso anti-PT para fortalecer a sua ideia de centro, repaginada por uma ideologia mais emblemática para combinar com o sentimento de revolta carimbado no povo.

O partido, assim como outros que também estavam à míngua, votou em peso pelo impeachment de Dilma e, assim, conseguiu aderir à base do governo de Michel Temer.

Em 2016, ganharam uma vitória e tanto com a chegada de Rodrigo Maia na Presidência da Câmara após o afastamento de Eduardo Cunha por envolvimento em corrupção investigada pela Operação Lava-Jato.

Com Maia na liderança, o DEM cresceu novamente e conseguiu se estabelecer em uma corda bamba dentro do Congresso. Agora, com as novas declarações de investigações com denúncias da JBS e com a prisão de Temer a sigla volta a cambalear. Desse modo, sua vitória nas próximas eleições dependerá muito das coligações que pretende fazer no governo Bolsonaro.

Entretanto, ainda é muito o esforço que precisam fazer para esconder o seu DNA ligado à ditadura, pois que o próprio Agripino (líder do partido) é filho de um ex-político da Arena (ex-governador Tarcíso Maia) e tem relações parentescas com Rodrigo Maia.

Além dele, Mendonça Filho que assumiu o posto de ministro de Educação no Governo Temer é filho do deputado arenista José Mendonça Bezerra. Tais ligações fazem com que se ecoe a frase emblemática do ex-presidente Lula ao criticar publicamento o DEM: “apesar da mudança de nome ainda tem a ditadura em seu DNA”.

Rodrigo Maia - Democratas
Rodrigo Maia – Democratas

Ideologia – O que o DEM defende?

  • Melhorar a distribuição de renda no país;
  • Proteger a propriedade privada;
  • Estimular o crescimento do agronegócio;
  • Defesa da reforma agrária para o accesso à propriedade fundiária e seu efetivo aproveitamento;
  • Reforma urbana que garanta o interesse coletivo;
  • Concessão de prioridade nacional para o Nordeste;
  • Preservação dos diferentes aportes à formação da cultura brasileira, estimulando programas culturais destinados à população negro-africana e indígena;
  • Dar mais eficiência ao gasto público e tolerância zero ao desperdício;
  • Discutir a concessão à iniciativa privada para as atividades não coligadas às funções do governo;
  • Manutenção dos programas sociais de inclusão universitária;
  • Reduzir a carga tributária por meio da descentralização progressiva de renda para Estados e Municípios;
  • Ampliação da autonomia das universidades;
  • Valorização permanente dos professores por meio de elevação sistemática de suas condições e remunerações de trbalho;
  • Ampliação dos programas de viabilização o acesso à habitação;
  • Garantia de liberdade de criação cultural e artística.

Clique aqui para visualizar a lista oficial completa de pautas do partido 

Estratégia eleitoral

Atualmente, a bancada atual do DEM reduziu depois da queda do governo Temer. Mas mesmo assim, em 2018 ainda tinha a maior bancada do Câmara, ficando somente atrás do PT. Na opinião de cientistas políticos, a promessa é de que a legenda se associe com as pautas mais liberais que eram mais difíceis de vingar no Brasil do passado, mas estão mais populares agora com os discursos agressivos do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Ainda não se sabe qual será a nova relação do DEM com o atual governo, mas a aposta é de que se aproveitem do momento para investir nas pautas mais liberais e elitizadas que tentavam disfarçar com associações socialistas nos governos passados, mas que na prática, sempre estiveram encarcadas nas pautas defendidas pela sigla.

Principais nomes do DEM

Atualmente os principais nomes atrelados à sigla são:

  • Ronaldo Caiado (Governador -GO e senador federal);
  • Mauro Mendes (Governador – MT);
  • Alberto Fraga (DF)
  • Antônio Magalhães Neto (BA);
  • Mendonça Filho (líder do Democratas e deputado federal de PE);
  • Mendonça Prado (deputado federal);
  • Rodrigo Maia (líder da Câmara);

Confira aqui o placar de eleitos do partido 

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Rafaela Trevisan Cortes
Rafaela Trevisan Cortes, jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

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