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O que é o Comunismo – funciona? O que é

O comunismo é uma doutrina/ideologia política pautada na exclusão da propriedade privada como meio de produção e na intervenção do Estado na distribuição dos bens de consumo, visando a construção de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida.

Marx e Engels deixam claro no Manifesto, entretanto, que o comunismo não é necessariamente a forma ideal de sociedade, mas sim um movimento político, com base nas tendências contemporâneas de sociedade, que levaria ao desenvolvimento de uma sociedade ideal, realmente democrática e livre da desigualdade social.

Esse processo de transformação dar-se-ia em duas fases, segundo Marx: em uma primeira, em que a distribuição de bens seria “para cada um de acordo com seu trabalho”; e uma segunda, em que a distribuição de bens viria a ser “de cada um de acordo com sua capacidade, para cada um conforme suas necessidades”.

A Luta de Classes 

Segundo o Manifesto do Partido Comunista, publicado originalmente em 21 de fevereiro de 1848, de autoria de Karl Marx e Friedrich Engels, a história da sociedade se resume à história das lutas de classes: no início entre o homem livre e o escravo, entre o patrício e o plebeu, entre o barão e o servo, entre o mestre de guilda e o artífice, ou seja, entre uma parte opressora e uma parte oprimida. Modernamente, a sociedade está ainda mais dividida em duas classes conflitantes: a classe da burguesia, opressora, e a classe do proletariado, oprimida.

O que é “Burguesia”

Por burguesia, entende-se, nesse contexto, a classe dominante do sistema capitalista, ou seja, proprietários de bens e capitais. Os burgueses surgiram, segundo o próprio Manifesto Comunista, a partir dos mercadores e camponeses que, na Idade Média, viviam nos “burgos”, nome dado às pequenas cidades amuralhadas medievais, que se reuniam em guildas de comércio e em corporações de ofício. Essa classe burguesia substituiu, em dada altura da história, a antiga nobreza, tomando para si os meios de produção, sendo os responsáveis pelos empregos assalariados.

Para que a burguesia permaneça no poder, ela adota uma postura de constante e permanente revolução dos instrumentos de produção, que resulta na revolução das relações de produção e, consequentemente, na revolução das relações sociais. O mercado está em constante e ininterrupta expansão, o que faz com que a burguesia almeje conquistar todo o planeta, a fim de fixar-se e ramificar-se por toda a parte. E uma vez que se instala em uma nação, é difícil perder este posto, uma vez que cria um intercâmbio generalizado e uma interdependência universal entre as nações, que se tornam escravas da classe burguesa e do sistema capitalista.

O que é Proletariado 

Já por proletariado, entende-se a classe oposta à classe dos burgueses capitalistas, ou seja, a classe dos trabalhadores assalariados, que não detém os meios de produção e, por isso, resta a essa classe vender a sua força de trabalho para garantir a sua subsistência. O objetivo do Manifesto Comunista é justamente o de tornar a classe proletária a classe dirigente, democratizando os meios de produção e construindo uma sociedade cuja igualdade econômica seja uma realidade.

Segundo a visão comunista, resulta da força de trabalho da classe trabalhadora o desenvolvimento e o progresso. Surge daí a ideia de que “o operário tudo cria. O operário cria até mesmo o homem”.

Segundo o Manifesto Comunista, o capitalismo e a burguesia são os responsáveis pelo surgimento da classe do proletariado e por sua revolta. Assim como a burguesia cria um cenário de constante revolução e mudança, também cria as armas para o proletário derrubar esse sistema: o capitalismo cria uma crise constante no próprio sistema capitalista, marcada por crises comerciais, que resultam na destruição dos produtos e das forças produtivas, e crises de poder, que resultam em desordem dentro do próprio sistema. Essa crise é temporariamente solucionada pela destruição forçada de uma massa de forças produtivas e pela conquista de novos mercados e pela exploração de novos territórios. Porém, isso leva apenas a mais e mais crises, sendo o sistema capitalista, segundo a visão do Manifesto, uma bomba-relógio prestes a explodir.

Nesse cenário, de crise constante, o proletário se desenvolve. Logo percebe a sua posição nesse sistema: precisa de trabalho para sobreviver, e o trabalho precisa de sua força produtiva. Logo não aceita mais vender-se como uma simples mercadoria, dando força à revolta.

Quando e onde o Comunismo Surgiu

O comunismo não surgiu necessariamente com os escritos de Karl Marx e Friedrich Engels. Os defensores e teóricos do movimento apontam características dele em tempos muito antigos, de Evangelhos bíblicos a textos filosóficos como os de Platão. Tanto é que Marx e Engels começam o Manifesto Comunista afirmando que o Comunismo já é um espectro a rondar toda a Europa.

O que Marx e Engels fizeram, ao publicar o Manifesto do Partido Comunista, em 1848, foi teorizar e sintetizar as principais ideias comunistas em um movimento essencialmente político, combinando-o com a filosofia social.

No Manifesto, os teóricos alemães apresentam o programa da então chamada Liga dos Comunistas, fundada em 1847, em uma convenção em Londres, que posteriormente receberia o nome de Primeira Internacional. Dentre os propósitos da carta-programa estavam os de “depor a burguesia, estabelecer as leis do proletariado, abolir a estrutura social burguesa fundamentada no antagonismo das classes e instalar uma nova ordem social, onde não houvesse nem classes, nem propriedade privada” (MARX & ENGELS, 2015, p. 29).

Marx foi convidado a redigir o primeiro manifesto da Liga dos Comunistas, em um congresso em Londres, no ano de 1947. Foi nesse congresso que o lema “proletários de todos os países, uni-vos” foi utilizado, substituindo o antigo lema “todos os homens são irmãos”.

Principais Símbolos 

  • A cor vermelha, representando o martírio e o sacrifício da classe operária.
  • A estrela de cinco pontas, representando os cinco continentes e as cinco partes da sociedade comunista, ou seja, os camponeses, os operários, o exército, os intelectuais e a juventude, sendo a estrela geralmente vermelha ou amarela/dourada em um fundo vermelho;
  • A foice e o martelo, representando respectivamente os trabalhadores agrícolas e a classe operária industrial;
  • Engrenagens, representando também a classe operária industrial;
  • Campos e feixes de cereais, ou outros tipos de plantação, representando também a classe de trabalhadores agrícolas;
  • Outros tipos de ferramentas de trabalho, representando a classe do proletariado;
  • Armas de fogo, representando a revolução armada.

Partidos 

No Brasil, os seguintes partidos identificam-se como comunistas:

  • PCO – Partido da Causa Operária;
  • PCdoB – Partido Comunista do Brasil;
  • PCB – Partido Comunista Brasileiro;
  • PCR – Partido Comunista Revolucionário;
  • PPL – Partido Pátria Livre;
  • PCML (BR) – Partido Comunista Marxista-Leninista do Brasil

Referência 

MARX, Karl. FRIEDRICH, Engels. Manifesto do Partido Comunista. tradução e notas Edmilson Costa, apresentação Annibal Fernandes. 3. ed. São Paulo: Edipro, 2015.

Gilmar Penter
Fotógrafo, ator e comunicador é apaixonado pelas artes e pela aventura que é a vida. Nas palavras, vê uma chance de mudar o mundo, mesmo que para isso tenha que vir até ele, afinal, passa muito mais tempo no mundo da lua.

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