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O que é ser de Esquerda? Principais características, ideologias e autores

A recente polarização política tem feito com que cada vez mais pessoas escolham um lado do espectro político. Apoiadores do atual governo, por exemplo, rotulam todos os opositores como “esquerdistas”, mas nem todos de fato o são. Por isso hoje vamos entender o que é ser de esquerda.

Com o passar dos anos a Esquerda foi se dividindo em diversas vertentes, e hoje são muitos os grupos ideológicos que se encaixam nesse lado do espectro. Nesse texto vamos conhecer algumas desses movimentos para entender melhor quem é de esquerda e quem não é.

O que é ser de esquerda

Origem da Esquerda

A oposição entre esquerda e direita surgiu na Revolução Francesa, no final do século XVIII. Os termos faziam referência aos lugares em que os políticos sentavam no Parlamento. Do lado direito estavam os girondinos, favoráveis ao antigo regime; e do esquerdo os jacobinos, contrários à Monarquia e defensores da instauração de uma República.

Com a Revolução Industrial no século XIX, a noção de Esquerda passou a ser associada às lutas da classe operária por melhores condições. Os direitos sociais conquistados no período, como descanso semanal, aposentadoria e férias, são decorrentes destas lutas operárias.

Os autores que analisaram as condições dos operários e aqueles que participaram ou apoiaram suas lutas foram considerados de esquerda. Além disso, a classe operária era tida como revolucionária, e seu partido como um instrumento político da revolução.

Foi nesse mesmo período que as teorias socialistas começaram a se dividir, com Marx classificando alguns autores como utópicos. Este é um dos primeiros momentos que levaram à divisão da Esquerda em diversas vertentes, partindo da diferenciação de distintas correntes do socialismo e do comunismo.

Principais características da Esquerda

Conforme já dissemos, este foi um termo aplicado a diversos movimentos sociais com o passar do tempo. Historicamente, os que mais se destacaram entre eles são o republicanismo, o socialismo, o comunismo e o anarquismo. Atualmente, a Esquerda também tem sido relacionada a movimentos como os de luta por direitos civis, antiguerra e ambientalistas.

Uma das principais características da Esquerda é a visão do Estado como orientador do desenvolvimento. Dessa forma, ela defende que o Estado tem por função regular o mercado e reduzir a desigualdade social.

Outra característica que se destaca nesse lado do espectro político é a proposta de taxação das grandes fortunas, de ganhos do capital e de heranças. A partir dos recursos provenientes destas medidas, propõe-se a transferência de renda dos ricos para os pobres.

De modo geral, a esquerda também dá prioridade às despesas sociais e aos investimentos em infraestrutura. Ela ainda se opõe à sonegação fiscal e  ao sistema “rentista”, preferindo o investimento na indústria nacional.

Para o filósofo italiano Norberto Bobbio, a esquerda prioriza o igualitarismo acima dos direitos de propriedade e livre comércio. Bobbio afirma que no lado esquerdo do espectro, o racionalismo, a defesa do Estado laico, o combate às oligarquias, a preservação do meio ambiente e os interesses dos trabalhadores são mais importantes que a necessidade de crescimento econômico.

Além disso, uma parte da esquerda defende políticas de nacionalização em larga escala e economia planificada. Estas ideias, aliás, inspiraram a construção do chamado “socialismo real” na URSS e no Bloco de Leste, se expandindo para países como Cuba, Etiópia e China no decorrer do século XX.

Vertentes e ideologias

No espectro político, este polo vai da centro-esquerda até a extrema-esquerda, abrangendo diversos grupos ideológicos entre uma ponta e outra. A “centro-esquerda” está relacionada a uma política tradicional, enquanto a “extrema” se refere a posições mais radicais, como os movimentos ligados ao trotskismo e comunismo de conselhos.

Entre os principais grupos mais ligados à centro-esquerda, estão os sociais-democratas, progressistas, alguns socialistas democráticos e ambientalistas, e os trabalhistas. No Brasil, o trabalhismo foi a principal vertente da esquerda nas décadas de 1950 e 1960, pois atraia setores da sociedade que não se identificavam nem com a direita nem com o comunismo.

Em geral, grupos de centro-esquerda concordam com a aplicação de recursos no mercado a partir de um sistema de economia mista, com um setor público forte e um setor privado próspero.

Mais à esquerda no espectro, os principais movimentos são o anarquismo, o socialismo e o comunismo. Sobre os dois últimos movimentos citados – geralmente  confundidos -, o socialismo também é visto como uma fase prévia para o advento do comunismo: uma ideologia que propõe uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na posse comum dos meios de produção.

Por fim, cabe apontar que nos Estados Unidos as noções comuns de “esquerda” e “direita” diferem um pouco. Lá os termos também costumam ser usados como sinônimos para “democrata” e “republicano” ou de Liberalismo social e conservadorismo, respectivamente.

Em relação ao Liberalismo social, inclusive, também é comum que no Brasil e em outros países alguns sociais-liberais se identifiquem como de centro-esquerda.

Principais autores

Alguns dos principais teóricos essenciais para conceitos encontrados na Esquerda são:

  • Karl Marx (1818 -1893);
  • Friedrich Engels (1820-1895);
  • Antonio Gramsci (1891-1937);
  • Rosa Luxemburgo (1871 – 1919);
  • Vladimir Lênin (1870 – 1924);
  • Leon Trótski (1879 – 1940);
  • Theodor W. Adorno (1903 – 1969), Walter Benjamin (1892 – 1940) e Max Horkheimer (1895 – 1973): principais representantes da Escola de Frankfurt.
  • György Lukács (1885 – 1971);
  • Ernesto Laclau (1935 – 2014);
  • Stuart Hall (1932 – 2014).

 

E você, é de esquerda ou de direita? Conte pra gente nos comentários o que achou do texto e quais são seus posicionamentos.

Felipe Matozo
Felipe Matozo é estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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