Início » Partidos Políticos » PSB (Partido Socialista Brasileiro) – História, Ideologia e Personalidades

PSB (Partido Socialista Brasileiro) – História, Ideologia e Personalidades

O PSB (Partido Socialista do Brasil) é um partido da esquerda brasileira que se configura entre um dos mais antigos do Brasil, só perdendo para o PCdoB. Sua principal bandeira é a defesa ao proletariado e servir como uma balança entre as pautas dos trabalhadores e empresários do país.

Apesar da ideologia socialista embutida na legenda, ao longo de sua história do PSB se mostrou surpreendente em decisões para conseguir alianças políticas e foi detentor de grandes nomes da política, como Eduardo Campos e o recém filiado Joaquim Barbosa.

Fundação e História do PSB

Partido Socialista BrasileiroNa questão história é preciso ter cuidado ao falar do PSB, pois existem duas versões do partido. O primeiro, surgiu no Rio de Janeiro em 1931. A sigla foi formada por uma união de advogados, interventores federais, integralistas e delegados à favor da militarização do país e como uma resposta às rebeliões políticas da década de 1920.

Esse PSB ficou conhecido por propagar um “socialismo róseo”, pois ao invés de honrar a ideologia original que defende a socialização dos meios de produção, acreditavam somente na conciliação entre empregador e empregado – mas se mudanças de postos.

Nessa época, o PSB n°1 defendeu pautas importantes, mas que seriam aprovadas não por conta de seu esforço próprio e sim pela legislação trabalhista aprovada por Getúlio Vargas, no PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Entre elas, estavam a jornada máxima de trabalho de oito horas e a defensoria pública para trabalhadores, por exemplo.

O partido morreu por inanição antes de qualquer grande feito, sendo extinto em 1937 com a promulgação do Estado Novo por Getúlio Vargas.

O PSB número 2

O PSB número 2 pouco tem a ver com a primeira sigla (além do nome). A mesma legenda foi recriada em 1945 a partir da Esquerda Democrática – uma das alas da União Democrática Nacional.

Na base dessa nova legenda os autores favoritos já não eram Lênin ou Marx, e sim Gilberto Freire, João Mangabeira ou Emílio Sales Gomes. Socialistas mais comedidos.

As pautas que atearam para comemorar o início da nova vida da sigla foram o da reforma agrária, melhoria da condição de vida dos mais pobres, proteção dos pequenos comerciantes e agricultores e a suspensão de impostos aos gêneros de primeira necessidade.

Separação da UDN

Em 1947 o partido já tinha força o suficiente para andar com as suas próprias pernas, e foi então que os dirigentes da sigla decidiram se separar da UDN. Nessa transição, a legenda perdeu alguns membros e acabou ficando somente com a classe média mais progressista e intelectual que desde sempre formou o PSB.

Nos anos 1950 em geral, o PSB acabou sendo ofuscado pelo PCB (atual PCdoB) que tinha uma proposta esquerdista mais agressiva, inclusive, defendendo a luta armada contra a ditadura anos mais à frente.

Com a vinda da ditadura militar, o partido que já estava frágil se diluiu de vez com o Ato Inconstitucional n° – que extinguiu todos os partidos mantendo somente a Arena e o MDB. Sendo assim, os participantes do PSB se dividiram entre a luta armada ou a oposição moderada.

Ressurgimento da sigla após a ditadura

O PSB surge mais uma vez na história no período de redemocratização, em 1985. Dessa vez, quem se encarregou de tirá-lo da cova foi Roberto Amaral, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e Rubem Bragas – todos intelectuais famosos da época.

Como em uma proclamação, Houaiss – líder da sigla nos anos 1980 – decretou quais seria a diretriz da antiga nova sigla dali para frente:

Um partido de massas, que afasta o elitismo e a imagem ligada a intelectuais, mas que também retoma ideias da experiência interior com uma ideologia mais nítida.”

Em outras palavras, a ideia era conseguir ocupar algum lugar entre a esquerda e o centro, abandonando o radicalismo e tentando se aproximar de outras siglas populares da época, como o PT.

A geração Arraes

A partir da década de 1990 a palavra Arraes passou a fazer parte do DNA do Partido Socialista Brasileiro. Tudo começou com a entrada de Miguel Arraes (avô de Eduardo Campos), o qual já tinha uma carreira extensa na política sendo governador de Pernambuco e por ter sido um intelectual esquerdista exilado na ditadura.

A família Arraes era querida no nordeste e com a entrada de Miguel para o partido a sigla rapidamente conseguiu ampliar o reconhecimento às massas populares. Até hoje é notável o poder que a legenda tem no apoio de eleição a candidatos filiados à esquerda.

A entrada do PSB nos postos federais

A primeira grande conquista do partido veio com a aliança ao PT, na candidatura de Lula à presidência da República. Em 1994, conseguiu deslanchar o deputado gaúcho José Paulo Bisol como candidato a vice – e ganhou. Desde então, o PSB apoiou o Partido dos Trabalhadores em várias outras ocasiões.

Como uma espécie de prêmio pelo apoio, o PSB ganhou muitos cargos nas próximas eleições petistas. Entre elas, a de Antony Garotinho, Eduardo Campos e vários outros nomes cotados, sobretudo, para ministérios.

Eduardo Campos

Miguel Arraes ficou conhecido em entrevistas por “não admitir” que seus filhos seguissem seus passos políticos. Apesar de ter detido os filhos, não se obteve ao neto. Eduardo Campos, em 2007 se declararia o herdeiro oficial da carreira do avô quando conquistou o posto de governador de Pernambuco.

Por ser muito próximo ao então presidente da república Lula, Eduardo conquistou financiamentos para seus projetos e acabou sendo conhecido por grandes feitos em Pernambuco – assim como foi seu avô o foi em sua época. Em 2013, Campos completou seu mandato com uma aprovação de 53% – um dos maiores índices em toda a história de governadores do país.

Contudo, enquanto de um lado era ovacionado. A Polícia Federal se encarregava de manchar essa imagem heroica com delações de investigados que apontavam o nome de Campos como suspeito de envolvimento no esquema de corrupção da Odebrecht. Na época, outros nomes do PSB foram citados, a exemplo de Geraldo Júlio e Paulo Câmara.

Mesmo após os escândalos que ainda não tinham a proporção que tomou, depois, a Operação Lava Jato, o fenômeno do “eduardismo” foi o suficiente para alavancar a sigla. No início dos anos 2000 o PSB caminhava para se tornar um dos partidos mais importantes do país, visto que todos os anos, batia o recorde de prefeitos eleitos. Em 2012, somou 440.

A morte trágica de Eduardo Campos

O crescimento do PSB que até então caminhava de forma muito natural foi interrompido por uma fatalidade. Em 2014, caiu o avião que carregava Eduardo Campos – na época, candidato à presidência da república e com bons índices de início. A morte de seu maior nome abalou a sigla.

No mesmo ano, o partido perdeu sua influência que construiu durante 16 anos e elegeu 26 prefeitos a menos do que na eleição anterior. Estava decretada a decadência da sigla.

As duas caras do PSB

Com as mudanças ocorridas no partido desde a morte de Eduardo Campos, o PSB ficou fragilizado e reforçou suas dicotomias. A maior delas é a que lhe acompanha desde o seu surgimento: ao mesmo tempo em que abriga nomes importantes da esquerda (como Lídice da Mata) também abre lugar para políticos da direita (como Márcio França, ex-PSDB).

Como exemplo de imprevisibilidade, o PSB apoiou o impeachment de Dilma Rouseff e acabou fazendo parte da base de apoio do governo Temer. Com a reforma trabalhista em voga, uma parte da sigla se colocou à favor e outra contra.

Entretanto, se a ideologia fosse a única coisa que valesse seria natural que a sigla inteira se opusesse ao projeto reformista. Foi então que o PSB confirmou o seu problema identitário, capaz de colocar sua ideologia base de lado em prol de um projeto maior de poder.

A prisão de Temer e a falta de base

Com o PT assassinado pelo recente impeachment de Dilma, a prisão do ex-presidente Lula e do impopular Temer,  o PSB era a sigla com maior potencial da esquerda para lançar um nome forte à presidência da República.

Sem arriscá-lo oficialmente, apareceu o nome de Joaquim Barbosa que nas primeiras pesquisas de intenção de voto apareceu com surpreendentes 10% sem nem ter confirmado a disputa.

Apesar do favoritismo imediato do povo a imagem do ex-ministro com fama de durão e anti-corrupção, Joaquim Barbosa se isentou da eleição e quem levou a boa foi Jair Bolsonaro com a ascensão dos discursos e pautas da direita conservadora.

Nesse novo cenário, o PSB tem duas possibilidades: a de servir como oposição – o que lhe seria mais digno às suas raízes -, ou aproveitar o momento para alargar de vez o seu lado conservador já existente e que, desde a morte de Eduardo Campos, voltou a crescer.

Ideologia – O que o PSB defende?

  • Combate ao racismo estrutural;
  • Práticas de combate à intolerância religiosa;
  • Ratifica a importância dos movimentos sindicais e estudantis;
  • Defende a proibição de coligação para as eleições proporcionais;
  • Defende o financiamento de campanhas eleitorais por meio de investimento público mais contribuição de pessoas físicas;
  • Manutenção do sistema proporcional as eleições parlamentares;
  • Defesa da reforma agrária;
  • Defesa dos programas de estimulo à inovação nas universidades;
  • Contrario a reforma trabalhista;
  • Favorável a reforma da previdência.

Principais nomes do Partido Socialista do Brasil

Atualmente os principais nomes atrelados à sigla são:

  • Joaquim Barbosa
  • Júlio Delgado
  • Tereza Cristina
  • Carlos Siqueira
  • Márcio França
  • Lídice da Mata
  • Sílvio Humberto,

Deixe nos comentários a sua opinião acerca deste partido!

Rafaela Trevisan Cortes
Rafaela Trevisan Cortes, jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

Comente