Início » Partidos Políticos » PCdoB (Partido Comunista do Brasil) – História, Ideologia e Lista de candidatos

PCdoB (Partido Comunista do Brasil) – História, Ideologia e Lista de candidatos

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) é a legenda mais antiga do país, criada oficialmente em 1922. Entretanto, a que passou mais tempo na clandestinidade por medo das consequências de assumir a sua identidade publicamente num mundo que passou muito tempo sob perseguição de “ameaças comunistas”.

O PCdoB contou com integrantes de peso associados à sigla, como Anitta Garibaldi ou Tarsila do Amaral e ainda hoje, ao seus quase um século de existência, tem importância fundamental no equilíbrio de poder do jogo político brasileiro.

Fundação e História do PCdoB

PCdoB

O PCdoB foi fundado em 1922 com o nome de Partido Comunista do Brasil (PCB) sob influências da ideia de Marx e Engels na defesa do proletariado mundial. Primeiramente, como já era de se esperar, teve forte adesão entre estudantes e nos meios sindicais. Entretanto, a sigla só se oficializaria décadas depois em 1961, quando mudou o nome para PCdoB.

Os primeiros passos do partido no Brasil eram foram a de disseminação do ideário socialista, que na época, acontecia ao mesmo momento das experiências comunistas na União Soviética. Neste período, ocorreram três grandes eventos para a sigla: a tradução e divulgação do Manifesto do Partido Comunista, o lançamento do jornal “A Classe Operária” e a organização da luta sindical.

O partido trabalhou bastante no campo das ideias, produzindo todo o tipo de conhecimento por meio de publicações. Um dos nomes mais influetes nessa elite intelectual foi o redator Áidano do Couto Ferraz,da Voz Operária. Quando o escritor foi afastado do jornal pelo comitê do PCB levou consigo os outros 27 jornalistas dos 32 que trabalhavam para a imprensa comunista.

Entretanto, até então os membros agiam discretamente e dificilmente se expunham publicamente por medo de serem perseguidos. Por isso, é que os diretórios dos partidos seguraram a legalização da sigla até a década de 1960, quando já havia terminado as possibilidades de golpes do Estado Novo de Getúlio Vargas.

O Papel do PCdoB durante a ditadura

Apesar do manifesto comunista pregar a luta armada, o PCB defendeu na maior parte do tempo de sua existência um caminho pacífico para a revolução brasileira do operariado. Até que chegou a ditadura militar.

O partido foi um dos primeiros a alertar sobre a possibilidade de uma tomada militar no Brasil, falando sobre as atitudes imperialistas dos Estados no Mundo – e que se concretizariam também no país verde amarelo.

Após a concretização da ameaça militar, o PCdoB logo passou a defender a necessidade de uso de violência para “livrar a nação do atual regime retrógrado e pra instaurar um governo popular revolucionário”. Tamanho extremismo fez com que se reduzissem consideravelmente a quantidade de adeptos à sigla.

Nesse período ocorreu a VI Conferência Nacional que posicionou claramente a tentativa de luta armada do PCdoB para aliviar o país das garras militares. As palestras incluiam teses de mobilização nacional e organização dos núcleos no campo para o início de um movimento revolucionário. Mais uma vez, a radicalidade dividiu o partido.

A direção do PcdoB, preconizada por Régis Debray defendia a tática do foco, na qual se deveriam formar pequenos núcleos revolucionários com guerrilheiros nas zonas rurais. De outro lado, o comitê central do PCdoB criticou a negação do partido como força dirigente e acreditava que a formação de pequenos grupos descaracterizaria o movimento, diminuindo-o. Ao invés de uma negociação, o grupo dos “foquistas” foi expulso do partido e veio a constituir a Ala Vermelha.

Enquanto isso, entre os períodos de 1966 e 1976 o Partido Comunista instaurou vários núcleos de guerrilha no país, sobretudo no Rio de Janeiro, São Paulo e na regi~ão do Araguaia, no sul do Pará. Entre as iniciativas, houve roubo à bancos, supermercados, quartéis e sequestros.

Em 1972, o Exército Brasileiro descobriu o grupo formado no Araguaia e decidiu dar o troco. Mais de 50 guerrilheiros foram mortos, entre eles importantes líderes do movimento, que após o acontecimento, ficou desfragmentado.

PCdoB pós anistia

Com a declaração de anistia, em 1976, vários presos políticos que haviam sido exilados voltaram ao país – alguns deles morreram logo ao chegar. Entretanto, a queda dos militares não  fez os dirigentes do partido abandonar a ideia de ação política para implantação de um governo de unidade popular.

Entretanto, suas alianças durante a década de 1970 a 1980 foram diversas – se aliando à partidos que defendiam a democratização do país. Mais tarde, em 1984 também se uniram à campanha das Diretas Já.

A influência do partido na eleição de Tancredo Neves

Em 1984 com a rejeição da implantação das diretas por meio da medida Dante Oliveira, foram concorrer ao posto de presidente da república os avessos: Tancredo Neves e José Sarney. Pela primeira vez, o PCdoB se manifestou em apoio de líderes, ficando ao lado de Tancredo.

Para a surpresa dos representantes da sigla, mesmo após a morte de Tancredo, José Sarney sancionou leis aprovadas pelo Congresso que legalizaram os partidos comunistas e abriram as possibilidades de sua atuação democrática. Desse modo, foram autorizados a participação do PCB e PCdoB.

Nesse período, o partido cresceu consideravelmente por consequências da oposição à ditadura e reconhecimento nacional. Na época, contava com 50 mil membros espalhados por todos os município do país.

O PCdoB por um novo comunismo

Ao esfriar a história da ditadura, o PCdoB afrouxou a ideia de luta do operariado armado e passou a liderar as pautas de esquerda no congresso com maior parcimônia. Em 1985, por exemplo, foi aprovado o novo programa que rompeu com dogmas do comunismo antigo. Entre elas, foi aprovado a participação do capital privado na economia, a pluralidade partidária e a liberdade ao culto de qualquer tipo de religião.

A partir dos anos 200 a liderança manteve seu apoio às invasões de terrenos urbanos inutilizados, defesa do movimento sem terra e outras causas operárias. Sua estratégia se manteve muito aliada ao PT, mas com menos conquistas do que o Partido dos Trabalhadores.

Somente em 2004 é que o PCdoB conseguiu eleger dez prefeitos, a maioria no Nordeste. Em 2008 houve um novo crescimento, partindo para 41 prefeitos eleitos, provando a capacidade da sigla em se regenerar mesmo em um momento de hostilidade de ideológica.

Ideologia – O que o PCdoB defende?

  • Aprova a Reforma Agrária;
  • Contra a privatização generalizada, sobretudo às empresas estatais;
  • Oposição à reforma da Previdência;
  • A favor da redução de privilégios de altos cargos legislativos e administrativos estatais;
  • Propõem o debate da lei anticrime que combate à corrupção;
  • A favor dos movimentos de luta por moradia.

Principais nomes do Partido Comunista do Brasil

Atualmente os principais nomes atrelados à sigla são:

  • Jandira Feghali (Deputada-RJ);
  • Manuela D’ávilla (ex-candidata a presidente da república);
  • Luciana Santos (Presidente do partido);
  • Perpétua Almeida (Deputada -AC);
  • Orlando Silva (Deputado-SP);
  • Rubs Júnior (Deputado-MA);

Deixe nos comentários a sua opinião acerca deste partido!

Rafaela Trevisan Cortes
Rafaela Trevisan Cortes, jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

Comente