Início » Partidos Políticos » PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) – História, Ideologia e Lista de candidatos

PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) – História, Ideologia e Lista de candidatos

O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) como já diz o nome, nasceu em prol da consolidação das leis trabalhistas, ambas criações do então chefe do Estado Novo, o presidente Getúlio Vargas que na criação do partido, em 1945, já estava no poder há mais de 10 anos – desde 1930.

Entretanto, a história do PTB se demonstrou mais um bom exemplo das profundas transformações e ambiguidades dos partidos no Brasil. Afinal, enquanto no século passado a legenda defendia ferrenhamente os direitos trabalhistas, em 2018, adotou um discurso avesso, pedindo pela extinção daquilo que ele mesmo ajudou a criar.

Fundação e História

Partido Trabalhista BrasileiroO PTB foi organizado em maio de 1945, somente dois meses depois da criação da UDN e do PSD. Seu desenvolvimento, desde o princípio, foi uma jogada para articular a ideologia trabalhista no Brasil que era o projeto de governo de Getúlio Vargas – e ao mesmo tempo, seu maior feito.

Existem algumas vertentes históricas que dizem que a sigla surgiu às pressas para competir no cenário político que se bipolarizada. Afinal, de um lado crescia a oposição com a criação da UDN e a esquerda passava a se organizar fortalecendo o Partido Comunista (PCB).

As primeiras pautas defendidas pelo partido foram a Reforma Agrária, Reforma Urbana, Educativa e, principalmente, a consolidação das leis trabalhistas. Todas as bandeiras ateadas tentavam se justificar por um crescimento econômico e desenvolvimento industrial, uma tentativa de legitimar o discurso para além do seu público-alvo, que era os operariados urbanos.

Enquanto Vargas esteve vivo, o partido foi considerado a legenda mais articulada em prol dos trabalhadores e sindicalistas, assumindo grande parte das pautas de esquerda. Entretanto, já na época era reconhecido que o grupo era formado não somente pelo operariado, mas continha segmentos residuais conservadores ligados às classes médias urbanas que não se interessavam em si pelo benefício dos operários, mas sim o quanto isso poderia representar de vantagens aos empresários.

A morte de Vargas e desvio do partido

Após o suicídio de Vargas, em 1954, grande parte dos aliados do PTB mudaram de ideia e fizeram com que o partido seguisse um novo rumo. Afinal, sem o líder, os segmentos opostos dentro da legenda começaram a competir.

Mesmo assim, conquistaram grandes feitos. Um deles foi o aparecimento de João Goulart, que assumiu a presidência em 1961 após a renúncia de Jânio Quadros. As pautas que levou à discurso eram mais à esquerda do que qualquer outra coisa, o que ligou o “alerta vermelho” da perseguição anti-comunista, à época, fomentada pelo fim da guerra fria nos Estados Unidos.

Rapidamente, instituiu-se o golpe militar em 1964 e o partido acabou sendo dissolvido assim que se instituiu o Ato Constitucional n° 2 (AI-2).

O renascimento do PTB

Após a redemocratização, entre as décadas de 1970 a 1980, a titularidade do PTB foi motivo para briga judicial. De um lado, estavam parentes de Getúlio que queriam dar continuidade ao projeto de vida do ex-presidente. De outro, Leonel Brizola (ex-governador do Rio Grande do Sul) que queria assumir a sigla.

A justiça eleitoral deu ganho de causa para Ivete Vargas. A ideia dela era dar uma nova cara às ideias que já tinha, todas voltadas aos setores mais conservadores da sociedade. Afinal, a mulher chegou a transitar até entre os militares – o que na época era quase sinônimo de pró-golpe.

A decisão judicial não foi surpreendente, pois mesmo no período de redemocratização a influência dos miliares era grande no poder judiciário e teve algum peso na decisão de quem ficaria responsável pela sigla.

Indignado pelo feito, Brizola funda o Partido Democrático Trabalhista (PDT) para competir com as pautas de sua concorrente. O renascimento do PTB o taxou rapidamente como um partido conservador e a herança trabalhista de Vargas ficou para o PDT do ex-petebista.

Posicionamento do PTB na Reforma Trabalhista

No início dos anos 2000 já estava decretado de que o partido do trabalhismo brasileiro gostaria de apoiar os trabalhadores de uma forma muito diferente do que lhe dar mais benefícios.

Diante da proposta da Reforma Trabalhista que propôs uma série de alterações na constituição trabalhista, o PTB deu a prova final de que se deslocou de suas origens ideológicas. Em janeiro de 2018, o atual presidente da sigla, Roberto Jefferson deu uma entrevista à Folha de São Paulo defendendo a extinção da Justiça do Trabalho alegando que a mesma servia tal como uma “babá de luxo”.

Mesmo sob intensas acusações de economistas, historiadores e cientistas políticas que dizem que de “trabalhista” no partido só restou o nome, a legenda insiste em manter a herança história que já tinha sido levada pelo PDT na década de 1970.

Ideologia – O que o PTB defende?

  • Diminuir a carga tributária empresarial;
  • Descentralização, desregulamentação e privatização dos setores;
  • Redução das despesas com o pessoal do Estado;
  • Convocação de uma assembleia constituinte;
  • Regime único de previdência para trabalhadores da iniciativa privada e funcionários públicos;
  • Favorável a liberdade sindical;
  • Não aceita  intervenção do Estado nas relações de trabalho, a não ser na arbitragem dos dissídios a livre negociação;
  • Extinção de programas de inclusão universitária com bolsas integrais. Defende a participação do Estado no ensino superior, mas terá de ser reembolsado pelos formados;
  • O PTB propugna pela reformulação, revisão e simplificação das leis trabalhistas.

Baixe aqui o arquivo completo de pautas 

Principais nomes do PTB

Atualmente os principais nomes atrelados à sigla são:

  • Roberto Jefferson – presidente nacional do PTB;
  • Pedro Lucas Fernandes – líder na Câmara dos Deputados;
  • Graciela Nienov – presidente Nacional do PTB Mulher;
  • Pedro Igor Chaves – presidente Nacional da Juventude do PTB;
  • Eduardo Costa – deputado federal – PA

Clique aqui para ver a lista completa de líderes e representantes 

Deixe nos comentários a sua opinião acerca deste partido!

Rafaela Trevisan Cortes
Rafaela Trevisan Cortes, jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Revoltada por natureza, vê na comunicação uma oportunidade de extravasar a sua paixão por curiosidades, arte e conhecimento.

Comente